O desenvolvimento de um país ou povo normalmente é baseado em riquezas, indicadores financeiros, crescimento econômico, do PIB única e exclusivamente, por suposto que são parâmetros e ferramentas importantes, mas já é sabido que o desenvolvimento de um país não pode ser estabelecido apenas por indicadores de performance financeiras .

Desde a década de 1970 a humanidade vem criando uma consciência de que existe uma crise ambiental planetária. Não se trata apenas de poluição de áreas isoladas, mas de uma real ameaça à sobrevivência dos seres humanos, talvez até de toda a biosfera. O acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera representa um risco de catástrofe, pois ocasiona mudanças climáticas que podem levar a uma crise mundial de abastecimento de água, energia e alimentos.

Cientistas de diversos centros de pesquisa respeitados em todo o mundo estabeleceram cenários seguros a partir de modelos matemáticos com uma concentração de até 350 partes por milhão (PPM) de gás carbônico (CO2) na atmosfera. Mas hoje já ultrapassamos as 400 ppm e não temos nenhum sinal de que as empresas que exploram petróleo e carvão estão dispostas a parar como a exploração de combustíveis fósseis e muito menos a humanidade a não consumi-los.

Existem outros problemas ambientais que podem ser lembrados. Um deles é a contaminação da terra, dos rios e dos mares com os resíduos/lixo gerados pelo nosso consumo sem consciência, além  do avanço da desertificação, o desmatamento acelerado das últimas grandes reservas florestais originais do planeta (Amazônia, bacia do rio Congo e Taiga) e a extinção irreversível de milhares ou até milhões de espécies vegetais e animais.

Já as crises econômicas estão cada vez mais imprevisíveis e difíceis de serem solucionadas. Economistas usam estratégias que apenas consideram a questão financeira, mas não entendem que a crise está interligada, como sugere Fritjof Capra em seu livro: A Teia da Vida.

Há quem diga que a crise da humanidade é ética e moral, segundo especialistas, se os 100 homens mais ricos do mundo doassem 20% de suas riquezas a crise econômica mundial estava resolvida. Mas eles não o fazem, porque? Será que eles precisam de todo esse dinheiro para ser feliz?

De acordo com ABRAMOVAY (2012), A estratégia alternativa de transição para uma nova econômica (cujo sentido não seja dado por seu próprio crescimento, movido pelo incessante aumento no consumo) orienta-se por duas mudanças decisivas. A primeira refere-se à relação entre sociedade e natureza e a segunda forma, importante para mudar a relação entre sociedade e natureza é inovação.

Outra pesquisa interessante é que o povo americano está muito mais rico do que a 70 anos atrás, mas nem por isso estão mais felizes. Então nos perguntamos: de quanto dinheiro precisamos para ser feliz? Ainda, precisamos saber as diferenças entre desejos e necessidades!Nos anúncios somos motivados a comprar o que não precisamos com um dinheiro que não temos!

Meio ambiente, agenda diplomática multilateral e Relações Econômicas Internacionais, assumem, portanto, complexidade tal que seus eixos de diálogo se tornam somente possíveis a partir da ampliação de cada um de seus escopos analíticos e temáticos. Em outras palavras: é necessário redefinir e repensar maneiras de acompanhar a ampliação da defesa jurídica, política e diplomática dos emergentes paradigmas da economia verde com padrões antigos de elevado conteúdo de carbono da economia industrial (CASTRO, 2012).

Em palestra, Fritjof Capra no Congresso Brasileiro de Direito Socioambiental e Sustentabilidade, em Curitiba, 1 a 2 de agosto de 2013 sugere que o ciclo nascer, crescer e morrer serve para todos os seres vivos e suas relações, inclusive para a humanidade. A morte ou fim de um ciclo deve ser subsídio para um novo começo, reinventando, quebrando paradigmas. A humanidade precisa de mudanças sistêmicas, em seus modos de consumo e se relacionar entre si, com o mundo e a natureza. Ainda, segundo o autor do famoso livro que tornou-se referência para o pensamento sistêmico,  ‘’Ponto de Mutação’’:  O crescimento que pode ser considerado sustentável é aquele que considera e inclui as comunidades com base em energia renovável e emissões zero de gases de efeito estufa.”

Desta forma, torna-se necessário que todos meios de comunicação, formadores de opinião, empresários, educadores e todos, possam ajudar a acelerar esse processo de mudança, começando com pequenas atitudes que podem fazer uma grande diferença pro futuro do planeta e da humanidade.

Uma ótima leitura para ajudar no desafio de quem acredita que precisamos de um novo começo e que chegamos ao fim de um ciclo: Reinventando o Fogo, livro do escritor e cientista ambiental Amory B. Lovins, que acumula mais de três décadas de experiência no tema, descreve o caminho para eliminar o uso de petróleo, carvão, e energia nuclear. Lovins reúne estratégias que permitem uma transição para o uso eficiente de energia renovável que utilizará um terço menos de gás natural e não exigirá grandes inovações.

Ao possuir caráter interdisciplinar, a ecopolítica tem lastro na teoria política ambientalista e engloba vários ramos do saber e da técnica internacional (ALVES, 2001). Através do ferramental da dialógica, esses saberes e suas técnicas têm importância democrática e legitimante com desdobramentos para os estudos, as pesquisas, as capacitações que são empreendidos por diversos atores internacionais diante de novos ditames do desenvolvimento socioeconômico com respeito ao meio ambiente. Assim, o processo para atingi-lo exige participação de todas as esferas do governo e do Estado.

Desta forma, a transição para uma nova economia e um mundo socialmente mais justo, supõe que a ética e a moral, questões referentes ao bem, a justiça e à virtude ocupe lugar central nas decisões sobre o uso dos recursos materiais e energéticos e na organização do próprio trabalho e cotidiano na vida das pessoas.

Por Alex Eckschmidt – Mestrado, Programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento (PEGC, UFSC), área de Concentração: Gestão do Conhecimento da Sustentabilidade, (2008); – Especialização: Administração, Getúlio Vargas São Paulo-SP (1998); – Graduação: Eng. Agrônomo, UNESP (1996).

Editor: Eduardo Beskow